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sexta-feira, 27 de abril de 2012

À Meia Luz



Meia Luz

É na luz que o diamante mostra suas virtudes.

É à minha noite que os gatunos alimentam seus melindres.

É na meia lua que o coração contorce e transborda a alma.

É na minha lua que escancaro minha sombra, à meia noite.

A morte é um meio de transformação.

Cruz.

É à meia luz que parte de mim morre. E parte de mim brilha.



Priscila Lavorato - 2006

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Ser mais de um. Ser tudo. Ser muito.


Eu estava pensando cá com meus muitos botões e de repente percebi as pessoas como caixas em prateleiras.

Sensação estranha. Como assim?

Assim: Separadas em classificações. Fechadas em caixas. Possivelmente organizadas em ordem alfabética para melhor achar.

Me senti pequena e mesquinha.

Se classifico alguém, eu imponho um lugar fixo e contido a esta pessoa, baseado em mil conceitos pesquisados a partir de um “padrão de atitudes”.

“- Você, meu querido, que sente, cheira e observa assim: É assado!”

Assim, novamente ele é colocado na segunda prateleira, do lado esquerdo, logo acima.

Quem sou eu para determinar o lugar do outro, ainda mais sem consultá-lo? Sem entendê-lo?Tantas oportunidades de ampliar essa visão, essa ação de ser mais de um, de ser muitos e ser tudo. Quem sou eu em ditar as regras de atuação do outro, dizendo:

“- O senhor não pode passar desta linha, pois sua seção é do outro lado!”

E se eu não sou ninguém para determinar o lugar do outro, que raio de pessoas são essas que me qualificam em conceitos que não são meus. E me colocam dentro de uma caixa fechada, limitada, nas quais a única coisa que penso é:

“- Como faço pra sair dela?”

Continuo me sentindo pequena e mesquinha. 

Mesmo sabendo que somos tudo, que somos muitos é natural que as pessoas te determinem seu lugar, seu jeito de ser. Assim elas sabem quem você é e se sentirão confortáveis e seguras. É amedrontador perceber o outro como algo solto, livre e completamente mutável e ter que lidar com esta instabilidade.


É completamente ameaçador!

“- Pessoas perigosas essas daí: Que são mais de um, que são tudo e muitas. E, acredite, ao mesmo tempo!”




Priscila Lavorato