O Azar, se não se bastasse, sempre veio à mim acompanhado. Mesmo que eu esperneasse, gritasse, chorasse ou implorasse...
Quando ele chega perto, ainda que amedrontada e conformada, digo:
"Bem vindo, querido. Entre em minha vida e faça o que sempre bem entender dela. Não peço cuidado pois sei que é impiedoso".
E, dono de sei lá o quê, ele entra escancarando portas, ventaniando janelas, abrindo meu chão.
Eu desespero e choro por desamparo, mas ansiante em vê-lo tirar o último item da minha casa: A cortina.
Com a sala e a alma vazias, eu completamente nua, vejo a claridade pela janela e penso:
"O Azar, se não se bastasse, sempre veio à mim acompanhado. Mesmo que eu esperneasse, gritasse, chorasse ou implorasse... Ele sempre trouxe consigo a Verdade."