Eu estava pensando cá com meus muitos botões e de repente percebi as pessoas como caixas em prateleiras.
Sensação estranha. Como assim?
Assim: Separadas em classificações. Fechadas em caixas. Possivelmente organizadas em ordem alfabética para melhor achar.
Me senti pequena e mesquinha.
Se classifico alguém, eu imponho um lugar fixo e contido a esta pessoa, baseado em mil conceitos pesquisados a partir de um “padrão de atitudes”.
“- Você, meu querido, que sente, cheira e observa assim: É assado!”
Assim, novamente ele é colocado na segunda prateleira, do lado esquerdo, logo acima.
Quem sou eu para determinar o lugar do outro, ainda mais sem consultá-lo? Sem entendê-lo?Tantas oportunidades de ampliar essa visão, essa ação de ser mais de um, de ser muitos e ser tudo. Quem sou eu em ditar as regras de atuação do outro, dizendo:
“- O senhor não pode passar desta linha, pois sua seção é do outro lado!”
E se eu não sou ninguém para determinar o lugar do outro, que raio de pessoas são essas que me qualificam em conceitos que não são meus. E me colocam dentro de uma caixa fechada, limitada, nas quais a única coisa que penso é:
“- Como faço pra sair dela?”
Continuo me sentindo pequena e mesquinha.
Mesmo sabendo que somos tudo, que somos muitos é natural que as pessoas te determinem seu lugar, seu jeito de ser. Assim elas sabem quem você é e se sentirão confortáveis e seguras. É amedrontador perceber o outro como algo solto, livre e completamente mutável e ter que lidar com esta instabilidade.
É completamente ameaçador!
“- Pessoas perigosas essas daí: Que são mais de um, que são tudo e muitas. E, acredite, ao mesmo tempo!”
Priscila Lavorato