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quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Sobre o direito em dizer e ouvir o "não"



O "não" é uma palavra hoje em dia muito rara, escorregadia e muito pouco usada.

Que pena.

Quando vejo uma pessoa querendo dizer "não" fazendo rodeios, inventando desculpas ou mesmo falando tudo, menos o "não" confesso que fico em pânico, porque sei que a conversa vai seguir outro rumo que não aquele desejado e, o que era para ser evitado (o mal estar) inevitavelmente se estabelece.

Só penso: "Que pena, seria mais nobre e simples se tivesse dito: "Não!".

O mesmo quando preciso dizê-lo.

- "Ela disse 'não'!!!"

Sim, disse. Com maior respeito a mim e você (seja quem for). Qual o espanto?

E isso é visto com o horror de uma criança mimada que nunca pode ouvi-lo: "Não se diz "nãos!!".

O "não" é o termômetro do limite na relação das pessoas, do respeito e da maturidade. O "não", ao contrário do que as pessoas pensam, aproxima as pessoas, traz confiança e entendimento.

Desejo bons "nãos" à todos vocês!!!


sexta-feira, 15 de julho de 2016

Não é a tristeza....


Ela a gente resolve, vai atrás do que é belo e a substitui, resignifica...


O problema é o cansaço...


Ele é âncora ruim, te prende e não deixa andar.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Sanidade é loucura!!!









Sanidade é loucura!!!!










Só um segundo...








E por um segundo eu me rendo ao padrão, ao patrão, ao não que me tira o chão, ao bordão clichê de um qualquer... Por um segundo largo mão de nadar contra essa maré, que me fortalece, engrandece e me cansa, cansa, cansa... 


Descansa: Mas só por um segundo.


Só por um segundo eu faço o que todos fazem, só para identificar, pausar e criar coragem.


Um segundo:
























Só um segundo pra suspirar e retomar a viagem.










terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Caçadora de Utopias

Sou o tipo de pessoa que facilmente perde o sentido da vida. Daquelas que acorda de manhã e não encontra um sequer para seguir seu dia. Daquelas também que no meio da festa se sente um ET e acha muito mais interessante ficar conversando com o segurança da porta do que ficar no meio daquele montão de gente padronizadamente feliz. Sou daquelas que dificilmente se encanta, mas quando acontece é com o estranho, com o torto, com o único. 

Por perder facilmente o sentido da vida, por sobrevivência resolvi peregrinar utopias. Escolho aquela que me identifico e não calculo facilidades, só caminho à ela desbravando o que for necessário. 

Tem gente que vai ao shopping, tem gente que vicia em adrenalina... Eu coleciono utopias e as realizo. Quando isso acontece, perco novamente o sentido,então procuro outra e a peregrinação recomeça.

O cansaço bate muitas vezes, mas a forma que encontrei em me sentir valorosa,rica, plena foi pegar um sonho, multiplicar por dez (ou mais!) até se transformar em utopia. 

Quando começo a falar sobre sonhos como se fosse uma adolescente ou mesmo uma criança fantasiosa e alguém me diz:

"- Para com isso, é utopia! "

Só me resta responder:

"- Então é pra lá que eu vou!!!"

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Discernimento


Egocentrismo ¬ Egoísmo


Persistência ¬ Teimosia.



Desapego ¬ Desprezo



Responsabilidade ¬ Culpa




Individualidade ¬ Individualismo

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Homenagens ao meu pai - 20 anos







São Paulo, 17 de julho de 1994.
Final de Copa: Brasil ganha da Itália.


Enquanto eu me despedia do meu pai, eu via um a um ir embora rapidamente para não perder a grande final.

Esse foi o primeiro dentro tantos outros dias em que eu teria que me acostumar a nadar contra a maré. Não que eu fosse muito adepta às modas em geral. Pelo contrário. Sempre tive um olhar de estranheza e aversão à qualquer amontoado de pessoas padronizadas. Acho que meus valores e meu tempo sempre foram meio diferentes da maioria... Mas este dia em especial fez com que eu não conseguisse mais olhar as coisas de uma forma óbvia (ao menos da mesma forma que as outras pessoas olhavam). Foi uma busca tão rápida e intensa da vida, que somente 15 anos depois consegui criar um espaço para ficar de luto e assumir que sentia sua falta... E assim, sem dramas, passei a fazer homenagens ao meu pai. Por ele, para lembrar e agradecer, e por mim, para me preencher com ele... Passei a fazer coisas que ele fazia pra mim ou comigo. Fiz coisas que aprendi com ele, sem nem saber que um dia me ensinou. Passei por lugares e senti cheiros. Coisas simples, talvez até sem nexo, mas com total sentido pra mim.

Lembrar da sua elegância em dirigir, fez com que eu sempre colocasse os polegares na direção da mesma forma que ele colocava. Aprender a dirigir com 12 anos, 10 km de estrada de terra (com chuva!!!) e 20 km de asfalto de Monte Verde a Camanducaia, só mesmo com um grande professor. Ele era um louco, né? Não muito... Ficava atento com o freio de mão caso eu fizesse alguma coisa errada. Fiz tudo direitinho, o que me despertou uma grande paixão em dirigir até hoje!

Parar na padaria e comprar o chocolate que ele, malandramente, me dava sem permissão. Até hoje, vou à padaria para pegar esse chocolate, sento no banco da praça mais próxima e dou o mesmo sorriso malandro que você dava e penso: "Que figura...".

Lembrar o passo-a-passo e todos os detalhes de como usar uma furadeira... E ainda gostar dessa brincadeira!

Usar esmalte vermelho e pensar: "Ele odiaria essa cor!!!" (Mas olha pai, agora os tempos são outros, tá?).

Subir no telhado da sua casa e ficar olhando o mundo... Ah! E pisar somente na parte de cima da telha, porque a de baixo pode quebrar, né?

Aspirar mais fundo quando os perfumes que ele usava passam por mim...

Sempre verificar a marca dos cadeados...

Abrir a janela da sala de casa e ficar olhando o jardim de noite...

Terminar de jantar, dobrar o guardanapo e colocá-lo em baixo dos talheres juntinhos no canto do prato...

Aproveitando o momento gastronômico: Azeite, azeite, azeite...

A arte de tirar onda das pessoas... E mais: Elas gostarem disso!!! Uma verdadeira ARTE!

Fazer alguma sacanagem e se denunciar com um sorriso (daqueles que apertam os olhos e solta um sorriso tão desengonçado que dá raiva de tão gostoso!).

Engraxar os sapatos com graxa tradicional, escova de dentes e flanelinha... Ainda não achei a escovinha ideal, mas o polimento com a flanela ficou espetacular!!!

Ir ao cinema sozinha...


Bom, são muitas as formas que faço homenagens à ele e com tantas coisinhas gostosas, pretendo continuar fazendo... (As reticências não são por acaso)


Pai: Obrigada por estar ao meu lado nos momentos difíceis e ainda me acolher e se tornar presente de uma forma que eu consiga te sentir: em sonhos, em cheiros, em presença de voz ou mãos...


...


São Paulo, 17 de julho de 2014.
P.S.: A Copa este ano foi no Brasil, ele não ganhou e ainda procuro um sentido pra tudo isso!