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quarta-feira, 25 de junho de 2014

O gosto por coisas invisíveis...




Dizem que o nosso paladar muda de tempos em tempos...

E é verdade.

Já tive gostos bem escandalosos, fortes e espessos. Hoje, sabe-se lá o motivo, gosto das coisas invisíveis.

Gosto do que não está na superfície, na casca. Gosto de ir fundo no desconhecido. Gosto de raízes.

Sabe-se lá o porquê, mas passei a amar raízes!

Gosto da textura, do tipo de saciedade, da proximidade com a terra. 

Curiosamente, raízes são extremamente nutritivas, fortes e crescem longe dos nossos olhos. 

Talvez eu tenha passado a gostar tanto delas por hoje acreditar que para se ter uma vida de verdade é necessário ser como a raiz: Trabalhosa, demorada,  profunda, firme e invisível. 


segunda-feira, 9 de junho de 2014

Meu Caminho Vocal

A expressão vocal sempre foi algo de profunda admiração e curiosidade pra mim.

Além de muito bonita, me transmitia uma sensação de divindade, algo etéreo e inatingível.

Lembro-me quando um diretor me perguntou o que significava “cantar” e eu respondi:

“- Um desafio!”

Ele fez uma cara assustadíssima . Me lembro até hoje!!!

Confesso que eu também fiquei impressionada com a resposta e deixei que o tempo me mostrasse o significado disso. E no decorrer dos seguintes doze anos ele me mostrou um mundo novo e incrível.

Em princípio era uma descoberta fragmentada e desconexa, apesar de muito encantadora. As inflamações de garganta nunca mais apareceram e surgiu uma voz muito saudável e forte. Demorou para que as peças se encaixarem e formassem uma só. Foi num momento de cansaço que, em uma aula de canto, eu desabafei: 

“Eu tenho uma voz para cada professor de canto que eu fiz aula. Estou cansada, não quero mais abrir mão do meu conhecimento” 

E ele me respondeu: 

“Mas é tudo uma coisa só, não precisa abdicar das coisas que aprendeu”.

Essa informação foi um alívio imenso! Eu já tinha uma bagagem e técnica bem interessantes, mas o que eu ainda não havia percebido era que o que juntaria todas essas peças seria a minha identidade. Foi neste momento em que comecei a achar a “minha voz”.

A partir daí me senti mais preparada para enfrentar o mundo e me colocar no mercado.

Grande ilusão. 

Ainda tinha algo que me bloqueava e não me deixava ser plena. E assim aconteceu por alguns anos: Tinham dias em que eu estava espetacular, vocalmente falando, tinham dias em que eu era péssima. Motivo? Ninguém sabia dizer. Nem eu.

Tentei de tudo! E como todo grande esforço culmina num cansaço de desistir, foi inevitável que isso acontecesse. E, claro, muito sábio!

Neste ponto, conheci uma profissional incrível que desenvolveu a Técnica de Alexander em um workshop, a queridíssima Joelle. Esta cantora me trouxe uma visão e um tato vocal com uma liberdade e uma expansão que eu nunca tinha entrado em contato. Minha voz nunca mais foi a mesma. Nem meu ritmo de vida, nem meus pensamentos, nem minha filosofia... O contato comigo mesma foi revelador e tenho que dizer: Eu gostei de mim, viu?

Até então eu não me conhecia e minha visão era muito sobre o que “o fora” procurava como voz, como perfil de artista. Meu mundo interior era muito maior que o exterior.

É isto. É exatamente isto!

Ao dar aulas, então, eu juntei todas as minhas peças, todas as minhas experiências e comecei a usá-las. Não de forma misturada e batida, mas unificada e discernida; completa, organizada e plena. Foi aí que eu entendi os motivos da minha vida não ter tido um caminho linear de eventos e fui reconhecendo o valor de cada um deles:

- Meu trabalho de dança: Me proporcionou presença física, corpo e tato na música, expansão e envolvimento.

- Meu trabalho de Teatro e Performance: Me trouxe visão geral (contexto histórico-social), atuação da voz, sensibilidade e proximidade ao público.

- Meu trabalho como Terapeuta Corporal: Despertou uma observação e uma sensibilidade de mim e do outro muito grande, o que me traz o conhecimento do momento do corpo como um todo, esteja alterado ou não no âmbito físico, mental e emocional.

Bom, este é meu caminho vocal. Até agora!

Achei interessante decorrer este assunto neste meu momento de vida e compartilhar com os amigos, parceiros e alunos (ou amigos-parceiros-alunos, junto assim mesmo!) e deixar registrado aqui o meu sentimento de gratidão à todos que, de alguma forma, participaram e me ajudaram nesse processo.

No mais, um ótimo caminho à todos!

Gratíssima!