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quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Discernimento


Egocentrismo ¬ Egoísmo


Persistência ¬ Teimosia.



Desapego ¬ Desprezo



Responsabilidade ¬ Culpa




Individualidade ¬ Individualismo

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Homenagens ao meu pai - 20 anos







São Paulo, 17 de julho de 1994.
Final de Copa: Brasil ganha da Itália.


Enquanto eu me despedia do meu pai, eu via um a um ir embora rapidamente para não perder a grande final.

Esse foi o primeiro dentro tantos outros dias em que eu teria que me acostumar a nadar contra a maré. Não que eu fosse muito adepta às modas em geral. Pelo contrário. Sempre tive um olhar de estranheza e aversão à qualquer amontoado de pessoas padronizadas. Acho que meus valores e meu tempo sempre foram meio diferentes da maioria... Mas este dia em especial fez com que eu não conseguisse mais olhar as coisas de uma forma óbvia (ao menos da mesma forma que as outras pessoas olhavam). Foi uma busca tão rápida e intensa da vida, que somente 15 anos depois consegui criar um espaço para ficar de luto e assumir que sentia sua falta... E assim, sem dramas, passei a fazer homenagens ao meu pai. Por ele, para lembrar e agradecer, e por mim, para me preencher com ele... Passei a fazer coisas que ele fazia pra mim ou comigo. Fiz coisas que aprendi com ele, sem nem saber que um dia me ensinou. Passei por lugares e senti cheiros. Coisas simples, talvez até sem nexo, mas com total sentido pra mim.

Lembrar da sua elegância em dirigir, fez com que eu sempre colocasse os polegares na direção da mesma forma que ele colocava. Aprender a dirigir com 12 anos, 10 km de estrada de terra (com chuva!!!) e 20 km de asfalto de Monte Verde a Camanducaia, só mesmo com um grande professor. Ele era um louco, né? Não muito... Ficava atento com o freio de mão caso eu fizesse alguma coisa errada. Fiz tudo direitinho, o que me despertou uma grande paixão em dirigir até hoje!

Parar na padaria e comprar o chocolate que ele, malandramente, me dava sem permissão. Até hoje, vou à padaria para pegar esse chocolate, sento no banco da praça mais próxima e dou o mesmo sorriso malandro que você dava e penso: "Que figura...".

Lembrar o passo-a-passo e todos os detalhes de como usar uma furadeira... E ainda gostar dessa brincadeira!

Usar esmalte vermelho e pensar: "Ele odiaria essa cor!!!" (Mas olha pai, agora os tempos são outros, tá?).

Subir no telhado da sua casa e ficar olhando o mundo... Ah! E pisar somente na parte de cima da telha, porque a de baixo pode quebrar, né?

Aspirar mais fundo quando os perfumes que ele usava passam por mim...

Sempre verificar a marca dos cadeados...

Abrir a janela da sala de casa e ficar olhando o jardim de noite...

Terminar de jantar, dobrar o guardanapo e colocá-lo em baixo dos talheres juntinhos no canto do prato...

Aproveitando o momento gastronômico: Azeite, azeite, azeite...

A arte de tirar onda das pessoas... E mais: Elas gostarem disso!!! Uma verdadeira ARTE!

Fazer alguma sacanagem e se denunciar com um sorriso (daqueles que apertam os olhos e solta um sorriso tão desengonçado que dá raiva de tão gostoso!).

Engraxar os sapatos com graxa tradicional, escova de dentes e flanelinha... Ainda não achei a escovinha ideal, mas o polimento com a flanela ficou espetacular!!!

Ir ao cinema sozinha...


Bom, são muitas as formas que faço homenagens à ele e com tantas coisinhas gostosas, pretendo continuar fazendo... (As reticências não são por acaso)


Pai: Obrigada por estar ao meu lado nos momentos difíceis e ainda me acolher e se tornar presente de uma forma que eu consiga te sentir: em sonhos, em cheiros, em presença de voz ou mãos...


...


São Paulo, 17 de julho de 2014.
P.S.: A Copa este ano foi no Brasil, ele não ganhou e ainda procuro um sentido pra tudo isso!

quarta-feira, 25 de junho de 2014

O gosto por coisas invisíveis...




Dizem que o nosso paladar muda de tempos em tempos...

E é verdade.

Já tive gostos bem escandalosos, fortes e espessos. Hoje, sabe-se lá o motivo, gosto das coisas invisíveis.

Gosto do que não está na superfície, na casca. Gosto de ir fundo no desconhecido. Gosto de raízes.

Sabe-se lá o porquê, mas passei a amar raízes!

Gosto da textura, do tipo de saciedade, da proximidade com a terra. 

Curiosamente, raízes são extremamente nutritivas, fortes e crescem longe dos nossos olhos. 

Talvez eu tenha passado a gostar tanto delas por hoje acreditar que para se ter uma vida de verdade é necessário ser como a raiz: Trabalhosa, demorada,  profunda, firme e invisível. 


segunda-feira, 9 de junho de 2014

Meu Caminho Vocal

A expressão vocal sempre foi algo de profunda admiração e curiosidade pra mim.

Além de muito bonita, me transmitia uma sensação de divindade, algo etéreo e inatingível.

Lembro-me quando um diretor me perguntou o que significava “cantar” e eu respondi:

“- Um desafio!”

Ele fez uma cara assustadíssima . Me lembro até hoje!!!

Confesso que eu também fiquei impressionada com a resposta e deixei que o tempo me mostrasse o significado disso. E no decorrer dos seguintes doze anos ele me mostrou um mundo novo e incrível.

Em princípio era uma descoberta fragmentada e desconexa, apesar de muito encantadora. As inflamações de garganta nunca mais apareceram e surgiu uma voz muito saudável e forte. Demorou para que as peças se encaixarem e formassem uma só. Foi num momento de cansaço que, em uma aula de canto, eu desabafei: 

“Eu tenho uma voz para cada professor de canto que eu fiz aula. Estou cansada, não quero mais abrir mão do meu conhecimento” 

E ele me respondeu: 

“Mas é tudo uma coisa só, não precisa abdicar das coisas que aprendeu”.

Essa informação foi um alívio imenso! Eu já tinha uma bagagem e técnica bem interessantes, mas o que eu ainda não havia percebido era que o que juntaria todas essas peças seria a minha identidade. Foi neste momento em que comecei a achar a “minha voz”.

A partir daí me senti mais preparada para enfrentar o mundo e me colocar no mercado.

Grande ilusão. 

Ainda tinha algo que me bloqueava e não me deixava ser plena. E assim aconteceu por alguns anos: Tinham dias em que eu estava espetacular, vocalmente falando, tinham dias em que eu era péssima. Motivo? Ninguém sabia dizer. Nem eu.

Tentei de tudo! E como todo grande esforço culmina num cansaço de desistir, foi inevitável que isso acontecesse. E, claro, muito sábio!

Neste ponto, conheci uma profissional incrível que desenvolveu a Técnica de Alexander em um workshop, a queridíssima Joelle. Esta cantora me trouxe uma visão e um tato vocal com uma liberdade e uma expansão que eu nunca tinha entrado em contato. Minha voz nunca mais foi a mesma. Nem meu ritmo de vida, nem meus pensamentos, nem minha filosofia... O contato comigo mesma foi revelador e tenho que dizer: Eu gostei de mim, viu?

Até então eu não me conhecia e minha visão era muito sobre o que “o fora” procurava como voz, como perfil de artista. Meu mundo interior era muito maior que o exterior.

É isto. É exatamente isto!

Ao dar aulas, então, eu juntei todas as minhas peças, todas as minhas experiências e comecei a usá-las. Não de forma misturada e batida, mas unificada e discernida; completa, organizada e plena. Foi aí que eu entendi os motivos da minha vida não ter tido um caminho linear de eventos e fui reconhecendo o valor de cada um deles:

- Meu trabalho de dança: Me proporcionou presença física, corpo e tato na música, expansão e envolvimento.

- Meu trabalho de Teatro e Performance: Me trouxe visão geral (contexto histórico-social), atuação da voz, sensibilidade e proximidade ao público.

- Meu trabalho como Terapeuta Corporal: Despertou uma observação e uma sensibilidade de mim e do outro muito grande, o que me traz o conhecimento do momento do corpo como um todo, esteja alterado ou não no âmbito físico, mental e emocional.

Bom, este é meu caminho vocal. Até agora!

Achei interessante decorrer este assunto neste meu momento de vida e compartilhar com os amigos, parceiros e alunos (ou amigos-parceiros-alunos, junto assim mesmo!) e deixar registrado aqui o meu sentimento de gratidão à todos que, de alguma forma, participaram e me ajudaram nesse processo.

No mais, um ótimo caminho à todos!

Gratíssima!


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

O Azar, se não se bastasse, sempre veio à mim acompanhado.

O Azar, se não se bastasse, sempre veio à mim acompanhado. Mesmo que eu esperneasse, gritasse, chorasse ou implorasse...

Quando ele chega perto, ainda que amedrontada e conformada, digo:

"Bem vindo, querido. Entre em minha vida e faça o que sempre bem entender dela. Não peço cuidado pois sei que é impiedoso".

E, dono de sei lá o quê, ele entra escancarando portas, ventaniando janelas, abrindo meu chão.

Eu desespero e choro por desamparo, mas ansiante em vê-lo tirar o último item da minha casa: A cortina. 

Com a sala e a alma vazias, eu completamente nua, vejo a claridade pela janela e penso:

"O Azar, se não se bastasse, sempre veio à mim acompanhado. Mesmo que eu esperneasse, gritasse, chorasse ou implorasse... Ele sempre trouxe consigo a Verdade."